Israel realizou, na terça-feira 9 de setembro, um ataque aéreo em Doha, capital do Qatar, contra um prédio identificado como residência e local de encontro de dirigentes do Hamas. Foi a primeira vez que o país do Golfo sofreu uma ofensiva direta desde o início da guerra em Gaza.
Segundo o Ministério do Interior do Qatar, o ataque matou um agente da segurança interna e deixou civis feridos. O Hamas informou que entre os mortos estão o filho de Khalil al-Hayya, seu principal negociador, e colaboradores próximos. Apesar disso, os líderes do grupo que participavam de uma reunião sobreviveram.
O governo do Qatar condenou o episódio como “violação flagrante da soberania” e anunciou a criação de uma equipe legal para avaliar medidas de resposta. Em comunicado, o porta-voz Majed al-Ansari afirmou que o país “não tolerará ações que ameacem sua segurança e integridade territorial”.
Israel assumiu total responsabilidade pela operação. O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que a ação foi “independente” e justificou o ataque como parte da ofensiva contra líderes do Hamas considerados responsáveis pelo ataque de 7 de outubro de 2023.
A ofensiva gerou reações imediatas no cenário internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o ataque como “um grave desrespeito ao direito internacional”. Países como Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Irã também criticaram Israel. O presidente francês Emmanuel Macron disse que a ação foi “inaceitável, qualquer que seja a razão”.
Os Estados Unidos, principal aliado de Israel e com milhares de militares baseados em território qatari, procuraram se distanciar da decisão. O presidente Donald Trump afirmou não ter autorizado a operação e disse que sua administração foi informada tardiamente.
O ataque ocorreu em um momento em que dirigentes do Hamas discutiam, em Doha, a mais recente proposta norte-americana de cessar-fogo para Gaza. Analistas apontam que a ofensiva ameaça comprometer os esforços de mediação conduzidos pelo Qatar e pode agravar a instabilidade no Golfo.
Fontes utilizadas: BBC; Al Jazeera; The New York Times
https://www.aljazeera.com/video/newsfeed/2025/9/9/hamas-leaders-survive-israeli-strike-on-qatar-us-denies-involvement#flips-6378940476112:0 Fonte: AL JAZEERA, 9 set. 2025



