A relação entre Brasil e Estados Unidos vive um dos momentos mais tensos das últimas décadas. Uma pesquisa divulgada pela Genial/Quaest revela que a imagem de Washington entre os brasileiros despencou após as tarifas impostas pelo presidente Donald Trurnp e as pressões exercidas sobre o Judiciário nacional. Ao mesmo tempo, a percepção positiva em relação à China disparou, consolidando o país asiático como o principal parceiro estratégico do Brasil.
Segundo o levantamento, 48% dos entrevistados afirmam ter uma opinião desfavorável dos EUA, o dobro do registrado em fevereiro de 2024. Já os que declararam uma visão positiva caíram de 58% para 44%. No caminho inverso, a imagem da China subiu de 38% para 49% de aprovação no mesmo período, reforçando a mudança de humor da opinião pública.
As sanções aplicadas por Trump incluíram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e medidas contra ministros do Supremo Tribunal Federal, como a inclusão de Alexandre de Moraes na lista da Lei Magnitsky. A ofensiva foi justificada pela Casa Branca sob o argumento de defesa da “liberdade de expressão” e de Jair Bolsonaro – agora condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Em Brasília, no entanto, a reação foi imediata: o governo Lula lançou o mote “0 Brasil é dos brasileiros” e transformou a crise em discurso de soberania, o que impulsionou sua popularidade.
O levantamento mostra ainda que a piora na imagem dos EUA foi puxada principalmente por eleitores de Lula em 2022, mas até entre bolsonaristas houve queda de apoio a Washington. Esse movimento reflete não apenas as medidas unilaterais de Trump, mas também o desgaste histórico do intervencionismo norte-americano na política brasileira.
Na contramão, a China ampliou sua presença no país. Além do salto na percepção positiva, Pequim se tomou o segundo maior investidor direto no Brasil no primeiro semestre deste ano. A guerra comercial entre EUA e China tende a acelerar a aproximação entre Brasília e Pequim.
Mais do que uma disputa comercial, a pesquisa traduz um movimento simbólico: os brasileiros começam a ver os Estados Unidos como um parceiro menos confiável, enquanto a China ganha espaço. O recado é claro: a soberania nacional não se curva a pressões externas, e o Brasil está disposto a diversificar suas alianças no cenário global.


