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TikTok, Trump e a nova geopolítica digital

A decisão do presidente Donald Trump de adiar pela quarta vez o prazo para a venda do TikTok nos Estados Unidos, como relatou o The New York Times, em 16 de setembro de 2025, simboliza mais do que uma disputa empresarial: trata-se de um episódio emblemático da geopolítica digital contemporânea. A crescente interdependência entre tecnologia e poder político transforma plataformas digitais em arenas de disputas geopolíticas, econômicas e estratégicas. O caso do TikTok revela como a economia de dados se tornou um campo central de rivalidade entre Estados Unidos e China, tensionando conceitos clássicos de segurança nacional e liberdade de mercado. Vamos examinar esse episódio a partir de três eixos: segurança cibernética, economia política global e implicações jurídicas.

O primeiro eixo a ser considerado é o da segurança cibernética. Ao sustentar que o TikTok poderia ser usado por Pequim para espionagem ou propaganda, Washington inscreveu as redes sociais na lógica da defesa nacional. Isso não é inédito: desde a Guerra Fria, tecnologias de comunicação são vistas como instrumentos de poder. No entanto, a novidade é que hoje o conflito se dá em torno da posse e do fluxo de dados pessoais, o “petróleo” do século XXI. Ao exigir que a ByteDance reduzisse sua participação no TikTok nos EUA para menos de 20%, o governo americano buscou assegurar que o controle do algoritmo e das informações dos usuários não permanecesse sob jurisdição chinesa.

Um segundo eixo é o da economia política global. O TikTok, com seus 170 milhões de usuários americanos, representa uma das poucas plataformas digitais não originárias do Vale do Silício a competir em escala mundial. Para os EUA, permitir que a China mantenha hegemonia sobre esse aplicativo equivaleria a aceitar uma brecha em um mercado dominado por empresas como Meta, Google e Amazon. A disputa, portanto, transcende a segurança: trata-se também de assegurar protagonismo na economia digital, setor decisivo para o crescimento econômico do século XXI.

O terceiro eixo diz respeito ao poder presidencial e à ordem jurídica. Apesar de o Congresso e a Suprema Corte terem validado a lei que obriga a venda do TikTok, Trump repetidamente adiou sua aplicação. Essa postura expôs tensões sobre os limites do Executivo frente ao Legislativo e ao Judiciário, levantando questionamentos sobre se decisões de segurança digital devem depender de negociações políticas ou seguir estritamente a norma jurídica. A mudança de rumo em sua postura – da ameaça de banimento imediato à busca por soluções negociadas – mostra como a condução da geopolítica digital está sujeita a dinâmicas internas de poder e a negociações externas complexas, mais do que a decisões unilaterais definitivas.

Para o Brasil, esse cenário projeta reflexos diretos. O país é um dos maiores mercados consumidores de redes sociais do mundo e, ao mesmo tempo, possui limitada soberania tecnológica: a infraestrutura digital e as principais plataformas são majoritariamente estrangeiras. Diante da disputa sino-americana, o Brasil precisa definir estratégias que evitem dependência excessiva de um único polo tecnológico, sob risco de se tornar refém das decisões estrangeiras. A regulação de dados – já parcialmente endereçada pela LGPD – e a promoção de ecossistemas digitais nacionais são passos necessários para que a soberania digital brasileira não se limite a reagir às pressões de Washington ou Pequim.

Em suma, o impasse do TikTok nos Estados Unidos é um espelho do mundo atual: a tecnologia deixou de ser apenas ferramenta de comunicação e tornou-se um pilar de poder global. A geopolítica digital não distingue fronteiras claras entre Estado, mercado e sociedade. Para países emergentes como o Brasil, compreender essa transformação e agir proativamente é a única forma de não permanecer à margem das decisões que moldam o futuro da conectividade, da economia e da própria democracia.

Frase: Quem controla os dados, controla a influência; quem não controla, torna-se território da disputa alheia.

Link para a matéria original: https://www.nytimes.com/2025/09/16/technology/tiktok-fourth-delay.html

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Alexandre Sousa

Writer & Blogger

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Alexandre Sousa

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